Uma decisão inédita no país promete mudar o cenário do tratamento do diabetes tipo 2 em jovens. A Anvisa aprovou, no dia 22 de abril de 2026, o uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida) para crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos.
A medida representa um marco na endocrinologia pediátrica brasileira, ao liberar pela primeira vez um medicamento da classe GIP/GLP-1 para uso nessa faixa etária — ampliando significativamente as opções terapêuticas disponíveis.
📌 O que muda com a nova aprovação
A atualização da bula do Mounjaro passa a incluir pacientes pediátricos a partir dos 10 anos, mantendo todas as indicações já aprovadas para adultos, como:
Controle do diabetes tipo 2
Redução de peso
Tratamento de apneia obstrutiva do sono associada à obesidade
Antes dessa decisão, o uso do medicamento era restrito apenas a adultos, o que limitava as estratégias clínicas para jovens com a doença.
🔬 Evidências científicas por trás da decisão
A aprovação foi fundamentada em resultados robustos do estudo clínico de fase 3 SURPASS-PEDS, publicado na revista científica The Lancet em setembro de 2025.
Os dados mostram resultados expressivos em adolescentes:
📉 Redução média de 2,2% na hemoglobina glicada (HbA1c)
⚖️ Diminuição de 11,2% no IMC ajustado em 30 semanas
🎯 86,1% dos pacientes atingiram meta glicêmica ≤6,5% com dose de 10 mg
⚠️ Sem registro de hipoglicemias graves
Esses números indicam não apenas eficácia no controle do açúcar no sangue, mas também impacto positivo no peso — fator crucial no diabetes tipo 2.
⚠️ Efeitos colaterais e segurança
O perfil de segurança do Mounjaro em jovens se mostrou semelhante ao observado em adultos.
Os efeitos adversos mais comuns incluem:
Náuseas
Diarreia
Vômitos
Em geral, esses sintomas são:
Leves a moderados
Mais frequentes no início do tratamento
Transitórios, com baixa taxa de abandono
A continuidade do tratamento foi considerada alta, indicando boa tolerabilidade.
📊 Um problema crescente no Brasil
O avanço da doença entre jovens tem preocupado especialistas. Estima-se que cerca de 213 mil adolescentes brasileiros convivam com diabetes tipo 2 — um número impulsionado diretamente pelo aumento da obesidade infantil.
Atualmente:
🧒 1 em cada 3 crianças apresenta sobrepeso ou obesidade
📈 Casos de diabetes tipo 2 vêm crescendo em idades cada vez menores
⚠️ Opções de tratamento ainda são limitadas para essa faixa etária
Nesse contexto, a chegada da tirzepatida representa uma alternativa inovadora e potencialmente mais eficaz.
🧠 Impacto clínico e futuro do tratamento
Especialistas avaliam que a aprovação pode inaugurar uma nova fase no tratamento do diabetes pediátrico no Brasil. A ação combinada da tirzepatida — atuando nos hormônios GIP e GLP-1 — melhora o controle glicêmico e promove redução de peso, atacando dois pilares da doença.




