Post viral de ativista e influenciador cobra acesso à infraestrutura básica e denuncia “hipocrisia” no debate climático.
O post do influenciador digital conhecido como ‘Chio Raiz‘ no Instagram acendeu um novo debate na internet sobre os direitos dos povos indígenas e o paradoxo do desenvolvimento na Amazônia. A mensagem, direcionada diretamente à Conferência do Clima da ONU (COP30), que será realizada em Belém (PA) em 2025, trazia um apelo incisivo: “Ei, COP30, deixe a @ysanireal e outros indígenas terem energia elétrica em casa.”
A publicação viraliza ao ecoar a luta de longa data da ativista indígena Ysani Kalapalo. Ela, que é moradora da Aldeia Terrono, no Parque Indígena do Xingu (MT), tem usado sua plataforma para denunciar a dificuldade e a burocracia que sua comunidade enfrenta para ter acesso à eletricidade.
Com informações do Instagram: https://www.instagram.com/chico_raiz/
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A Luta por um Direito Básico
O apelo de Ysani e ‘Chio Raiz’ transforma uma demanda por infraestrutura em uma crítica política e ambiental. Em diversos momentos, Ysani Kalapalo já expôs publicamente que sua aldeia luta há anos para conseguir a licença ambiental necessária para a instalação da rede elétrica, um processo que se arrasta há mais de uma década.
“Há 17 anos a nossa aldeia está lutando para levar energia elétrica,” afirmou Ysani em uma entrevista. “Até agora o governo não deu licença ambiental para que a empresa… instale energia elétrica na nossa aldeia. É exatamente para que a gente continue sem acesso a nada.”
A ativista argumenta que há uma “cultura da hipocrisia” onde grupos externos querem ver o indígena vivendo em um estado de isolamento, sem acesso a tecnologia e estruturas básicas, sob a justificativa de “proteger a natureza”. Para Ysani, essa visão paternalista impede o desenvolvimento e a autonomia das comunidades.
“Essas pessoas que se dizem proteger a natureza querem ver um indígena como 500 anos atrás, vivendo sem energia elétrica, sem saneamento, sem nenhuma estrutura. Mas nós queremos ter uma vida boa, uma qualidade de vida, assim como qualquer outra pessoa.”
O Desafio da COP30
Ao direcionar a cobrança à COP30, os ativistas colocam o acesso à energia elétrica – e a dignidade humana – no centro da pauta climática global. A conferência, que reunirá líderes mundiais para discutir soluções para a crise do clima, precisa enfrentar o fato de que a ausência de infraestrutura básica penaliza justamente os povos que são os principais guardiões da floresta.
O Brasil possui programas como o “Luz para Todos,” que busca levar eletricidade a áreas remotas, mas a inclusão energética de comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas ainda é um desafio gigantesco, muitas vezes esbarrando em entraves burocráticos ou na falta de planejamento para sistemas de energia limpa e distribuída. A própria Justiça Federal tem sido acionada, como no Amazonas, onde o Ministério Público Federal (MPF) precisou intervir para garantir o fornecimento de energia a diversas comunidades.
A reivindicação de Ysani e ‘Chio Raiz’ não é um repúdio à proteção ambiental, mas um pedido de que essa proteção caminhe lado a lado com os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável, garantindo que as comunidades tenham a autonomia de escolher seu próprio futuro, com luz para a escola, a unidade de saúde e as casas.




