quinta-feira, abril 23, 2026
spot_img

Ultimas

O mito do “ninguém usa mais” e a realidade que insiste em contrariar

Existe uma frase que atravessa reuniões, corredores de empresas e até gabinetes públicos com uma confiança impressionante: ninguém usa mais isso. Ela costuma vir acompanhada de certezas absolutas, como se o comportamento digital do mundo inteiro tivesse sido resolvido ali, em poucos segundos de conversa.

Mas a realidade, essa teimosa, quase sempre responde com ironia.

O dia em que “ninguém usava Facebook”

Em uma conversa no Senado Federal, ouvi com convicção: ninguém usa mais Facebook.
A frase veio com aquele tom definitivo, como se estivéssemos falando de uma tecnologia obsoleta, esquecida no tempo.

Curioso, porque fora daquele ambiente, o Facebook seguia e segue como uma das plataformas mais acessadas do mundo. Milhões de pessoas interagindo diariamente, negócios sendo fechados, comunidades sendo formadas, anúncios performando.

A bolha de percepção de quem fala nem sempre reflete o comportamento de quem usa.

O cliente que decretou o fim dos sites

Outro dia, uma cliente afirmou com a mesma segurança: “ninguém mais acessa site.
Segundo ela, tudo estava nas redes sociais e os sites haviam se tornado irrelevantes.

Horas depois, estávamos falando justamente sobre o site dela. Estrutura, conteúdo, SEO, conversão, presença digital.

Porque no fim das contas, redes sociais são terreno alugado.
Sites são território próprio.

E quando o objetivo é gerar autoridade, vender, posicionar ou ser encontrado no Google, o site continua sendo o centro de tudo.

O cético do e-mail até o servidor cair

Mas o melhor episódio veio de um cliente mais cético, quase filosófico:
ninguém usa mais e-mail”, disse ele.

Naquele mesmo dia, o servidor de e-mails dele parou.

E, de repente, o “ninguém usa” virou uma manhã inteira resolvendo problema, restaurando serviço, ajustando configuração, garantindo que o fluxo de comunicação voltasse ao normal.

Porque quando o e-mail para, o negócio para junto.

O e-mail pode não ser “moda”, mas é infraestrutura.

A diferença entre percepção e realidade

Esses três cenários têm algo em comum:
a confusão entre percepção pessoal e comportamento real do mercado.

O que algumas pessoas deixaram de usar não deixou de existir.
O que saiu do radar de um grupo pode estar crescendo em outro.
E o que parece ultrapassado, muitas vezes, é justamente o que sustenta toda a operação.

Tecnologia não funciona por opinião. Funciona por uso.

No fim, a pergunta não é “quem usa?”

É: para quê isso ainda resolve?

Facebook ainda resolve alcance.
Sites ainda resolvem presença e conversão.
E-mail ainda resolve comunicação crítica e operação.

Quem entende isso não segue modinha. Constrói estratégia.

Por Márcio Almeida
Especialista em novas tecnologias de informação e comunicação, desenvolve tecnologias para internet desde 1999

Ultimas

spot_img

Últimas